sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Eu não sei direito

Quando minha vó morreu, lembro-me de chegar em casa e minha mãe, como sempre, anuciar o corrido em tom dramático e com o olhar que me exigia uma reação.
já havia perdido o medo da morte nesta época, já não acreditava em deus aos meus 16 anos de idade, já o tinha matado sem ainda me encontrar com a filosofia.
Para surpresa de minha mãe, minha reação foi chorar, para minha surpresa eu começava a falsificar a vida, ou pelo menos me encaixar em padrões aceitos.
Hoje, a morte não me amedronta tb, mas uma incrível dor de cabeça me corroeu o crânio, que consegui ver a morte e me posicionar em frente ela. Não é preciso sofrer, se derepente alguma doença me atravessa e tenho dores constantes, agudas e insuportáveis, acabo com ela acabando comigo, simples, sem peso sem moral alguma metafísica.
Hoje, estou triste, sinto-me frustrado.
Tenho a morte à colocar seus dedos em minha cabeça e um coração desiludido, sim, eu que desiludi muitos corações, que coleciono meus mortos, hj estou com meu próprio pensamento desiludido.
Sempre pensaei que estaria sozinho, porém a cada momento sinto-me mais forte para me assumir sozinho, cada momento desejo a solidão, uma solidão compartilhada.
Vejo, assim como Clarice, que somava errado no amor, não é somando as compreenções que se ama verdadeiramente e sim as incompreenções.
sou como gato, independente e necessitado de carinho, conforto e cama quente. Talvez por isso não goste tanto de gato, na verdade, talvez este seja um caminho que luto, não gosto daquilo que me lembra eu.
Excentrico? Claro!
Único? Claro!
Teimoso? Claro!
a vida nunca me deu tempo para pensar, para analisar os fatos.
A infância se fez na rua, escondida, lutando tb sozinho.
Pai que rouba, que não entendo, que agride, que desdenha, que mente, que enlouquece, que maltrata, que some, que desejos, que me causa raiva e ódio e se mata.
Mãe que gruda, que sofre, que chora, que cuida, que lambe, que engorda, que abdica, que não existe, que sofre e ama.
Irmãos que choram aprendem, criam traumas, criam vidas, matam Deus e criam Deuses.
Portas que se abrem e se fecham, filhos que nascem e se envolvem.
Sexo que brinca com o poder com a moral com a vida.
Avô que não morre, que resiste, que muda, que cristaliza, que encobre, que viaja que ama.
Não me entendo ainda, sei que optei por não me culpar, não sentir culpa, não criar ideal, não esperar, não sofrer com o pensamento que ele se dá em mim e não é meu, que não existe um eu, que não tenho porra nenhuma de identidade, sou multiplo, constante, pulso, caleidoscópico, sou atravessado o tempo todo pela vida que me destrói históricamente.
Procuro as paixões alegres apesar de me sentir confortável no caos, na desordem, na natureza.
Me furo e me pinto, me corto e me saboto, me coloco em xeque sempre, sempre. Não acredito, não tenho grandes convicções, tenho escolhas, tenho direcionamentos, mas apenas.
Corto meus pulsos todas as noites que vou dormir, tenho pequenas lutas, pequenos combates, e sempre recrio situações, mesmo sendo paradoxal, mesmo sendo incoerente, mesmo sendo nômade.
Escrevo para criar meus escapes, atuo para criar uma vida, me coloco em xeque também na imagem.
receio perder o afeto das coisas, da natureza das coisas, receio virar um sociopata ou pscicopata que não tem sentimentos pela vida, pois é certo que sabe da imensidão da natureza e que ser afetado como a humanidade é hj em dia é falsificar um comportamenteo, é se enquadrar num formato medroso e dirigir achando que você é o motorista.
quando volto às origens vejo as mudanças, me coloco em mudança indo atrás daquilo que me espera, sem esperanças e armado com uma garrafa de coca cola.
Que venha o amanhã.

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