domingo, 23 de dezembro de 2007

faço suas as minhas palavras

eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor, não é? pois isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saia, pensando numa porção de coisas que queria te dizer depois, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis que precisam ser ditas... eu me perguntava se você era capaz de ouvir, se você teria, não sei, disponibilidade suficiente para ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê?... sabe , eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não conseguir mais ver, entende? dolorido-colorido".(Caio F. Abreu)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

um dia de idiota


Lá estava eu, caminhando pela avenida copacabana, olhando atento a tudo,
pessoas, bancos, animais, olhando atento com o sentimento de que aquilo que via agora seria me presenteado como completasse anos.
atento, por trás dos óculos que escondem as lágrimas, estou hoje perplexo como quem viveu e não vive mais porque não quer.
como quem deixou o cigarro queimar sozinho no cinzeiro vazi.
junto meus figurinos sujos.
acabem com a porra da peps cola!
calma, é só um mal disposto.
enfim, a cor dos meus lábios hoje estão meio pálidos, percebem?
em copacabana brilhavam de sangue.
quando estava destraído assim, como quem não espera nada, de ninguém, de nada, definitivamente nada, me fudi.
assim que os tolos se fodem.
na verdade me destrui, eu mesmo, um idiota total, bombando lágrimas pelo natural e pragmático canal lacrimal.
me destrui não nas palavras mas nas atitudes, nas inseguranças e nos medos.
nas palvaras também.
enfim dois, tô pouco me fudendo agora,
médio.
Em copacabana caiam lágrimas também, lá e aqui caem lágrimas, lá e aqui bombo lágrimas, lá e aqui, porra! caem.
eu sou bom em dividir, em amar, em acariciar, então porque tinha que naquele maldito dia em copacabana a merda da filha da puta da desgraça da maldita e infeliz loucura me apresentar como impulso de vida? Como impulso???
cadê você agora?
Tô lá em copacabana, agora diva, estilhaçado por um frexcão.
Meu corpo se despedaçou em mil com a sacudidela do frexcão, rins, fígado, coração e o tão destrutivo CU separados na orla salgada.
o que faço?
dar ou não dar o CU.
mas ali em copacabana?
uia, tenho vergonha.
Mentira!
Como uma puta que persegue seu pintinho não posso deixar para trás meu CU, quero CU na frente também, bem rebolado e embalado. sacado.
Copacabana me deixou assim, perplexo e sem sentido.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

em volta destas ruas uma cidade sonhando seus metais




Amigos,
tive que partir!

Como já disse, me esqueci no que se fazia necessário me esquecer,
estou lambendo hoje a carcaça podre do meu pai atrás da minha única verdade,
cutucando com caneta bic o crânio oco da minha vó que cisma em se remexer na cova raza na hora qual procuro sentido,
estou hoje tentando tirar de vez esta cara que não me pertence mas que agora sou eu, que agora como cola quente se gruda em meu espiríto livre.
Estou hoje perdendo o medo dos pensamentos que se dão em mim.
Estou hoje ligando de madrugada em busca do instante que já se perdeu.

Amanhã estarei bem, deliciando vidas inúteis do poço tapado de deus, entregue como sempre aos excessos, cheio de migalhas de uma noite de insônia, inspirando apesar de, minha vida.

Adeus oh Esteves! Agora sou eu que o sinto e por você me sinto,
aqui no quarto deitado que ora se desfarçava heterossexual preservando intimidades falsas,
aqui, chorando com Pessoa e me descobrindo com Clarice,
sendo eu, que é poder de ser, eu, vil, errônio, manco, sujo, irresponsável, corajoso e mau resolvido (ref),
e ainda, também, vivendo a parte mais dura da história, mas não a dureza dos ideais que insistem como parasitas na nossa conciência e sim a dureza de quebrar seu espelho e ter como única fé a verdade.
Por favor, quando partir, deixem o resto desta matéria exposta na mesa,
olhem para ela, façam seu ritual,
que sacrifiquem os pensamentos, que bebam negligências e saboreiam suas cantigas de morte,
verão que tudo começará a se deteriorar,
verão os ossos expostos,
pobre fêmur sem pensamento que agora será molestado por ratos,
mesmo dedicado ao músculo ele se perdeu entre o que não sabia, sucumbiu a efemeridade do ato.
Antes que eu parta entenda meu amor,
alí você não está, alí naquele fêmur não está,
alí você não fica,
você vai junto,
é no pensamento que se passa em mim que está minha entrega, que está minha opção, que está meu amor, que está sua existência,
não naquele fêmur que irreconhecívelmente se deteriora sobre a mesa dos valores morais,
e é dentro de mim que existe o amor, é bem no fundo, lá dentro, tem que bater por baixo, forte, duro, está pulsando dentro deste pensamento que se dá ao seu lado e dentro de mim.
É dentro de mim que você está,
aqui você não me conhece, aqui você não se conhece, daí de fora aqui não te satisfaz,
aqui, onde sei o que sou e o que me atravessa, onde ninguém havia habitado ou ao menos conhecido, e é que sempre esteve você e que agora está vazio esperando sua volta.

posso voltar, não me procurem aqui.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

eles sabem sobre mim


Witkin, Joel-Peter - Fotografia

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

apesar de clarice

apesar de,

a boca está seca,

apesar de, eu caminho com coragem, saúdo a geladeira de promoções, apesar de, também consumo.

Também sei ser feliz fora de mim,

devoro peixinhos vivos,

apesar de

vivos

eu como pessoas,

apesar de, sequestrei quem eu sou, bebendo coca-cola

cobiço com o olho torto,

me vejo apesar de

invento regras corrupitíveis,

inventam-me corrupitível apesar de,

lembre-se, apesar de,

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

às vezes, assim, me sinto com um vira lata, só que personalizado ah!


para aprender a falar

É fácil, começe gritando em forte som as palavras abaixo:
Desgraça, merda, karalho, imbécil, puta, rameira, vaca, idiota, ignóbil, safado, pilantra, buceta, buceteira, quente, safadinha, simétrico, equilibrado, sapata, viado, viadinho, bichinha, passiva, brasil, rameira pela segunda vez, cristão, bundão, cu, aberto, americano (do norte?), chulo, verde, cru, cu pela segunda também, conciência, vagabunda, gostosa, fudida, fudendo, fuder, boca, bocas, esperança, fé da puta, preto, negro, amarelo, brancos não, ajeijado, cadeirante, over, fim, maconheiro, andina, quadrúpete, gouche, mansardo, pai, filho, espírito, mau disposto, cristão, cristão, pela segunda e terceira vez, rato, político, estado, pátria, moral, ética, psicanálise, análista, fedor, bosta, obsceno, diabo, deus, seus, eu, coca-cola, coca, coca, coaca.

como ela diz: seu dragão é falso

meu bem,
venha,
cuidado com o gosto amargo do medo,
atrás sempre está o desejo fulgaz de maldade,
sei sim,
deixei de acreditar no que me diziam os espelhos,
estou farto, farto de esquizofrênicos, bipolares, obssessivos, compulsivos,
farto de tanta coisa,
farto de mim em mim,
e ninguém sabe disso,
niguém,
não falo isso nem comigo mesmo a sós,
ninguém me sabe,
e estou farto,
o quê esta tocando?
hum,
Placebo,
gosto,
depois conversamos sobre isso.

lixeira

O que quero quando quero escrever? Quero falar de mim? Mas o quê se fala quando se fala de mim?
Vacilo em acreditar no meu contorno ausente no espelho como tal uma puta vacila ao buscar aquilo que lhe foge à sua natureza mal culpada. Além, o que se pensa quando se pensa em mim? Quando em mim se hospeda este parasita da liberdade, o que se pensa?Perco-me de início na superfície da imaginação, na re apresentação de minhas dores dramáticas e inúteis, sendo resgatado ao parasita ordinário que confere meus trocos, resgatado a tudo que é restrito e falso, como num folhear de um livro de mitos mudos, dividindo sem paixões,Meu pensamento é capturado pelos conceitos, preceitos, julgo e burros, fica imóvel e avesso ao natural,a partir disso meus mais fundos desejos buscam o abismo, a beira, aceitar na força ser atravessado pelo tempo, sair do caminho correto e patinar na incerteza de meus atos, destapar a boca de deus. Quero que os ratos torçam por mim,gritem ratos
Deve ser jorro, deve se entregar ao desconhecido, mudar a rota. Mas que portas se abrem e que portas se fecham? Qual o peso das coisas? Quanto vale minha liberdade? É disso que tenho que penso que escrever? Os sinos não tocam mais, a cidade está morta, a vida está morta, os pensamentos estão mortos e a casa está vazia. Cadê meu pai? Cadê meu filho? Por que porta saiu todos? E este cheiro que fica quem o sente? Quem me sente? As varizes passaram pela porta da sala esbarrando no sofá e se sufocou na cama. Os ratos lembram-se e riem de mim agora, mas eu me esqueci fora de mim, esqueci que os ratos são meus sacerdotes, esqueci de apagar a luz, de prender o cabelo para revelar à verdade que não há verdade, esqueci de quem fui, esqueci de esquecer o que se fazia necessário, esqueci de não ter medo, me perdi em mil.

amor de coca cola


Meu bem,
sim,
sim, os planos são meus sim,
sim,
sim, as dores são minhas sim,
ok, então posso comer um rapaz antes do jantar?
não se preocupe, eu te amo e você não tem nada a ver com isso.