O que quero quando quero escrever? Quero falar de mim? Mas o quê se fala quando se fala de mim?
Vacilo em acreditar no meu contorno ausente no espelho como tal uma puta vacila ao buscar aquilo que lhe foge à sua natureza mal culpada. Além, o que se pensa quando se pensa em mim? Quando em mim se hospeda este parasita da liberdade, o que se pensa?Perco-me de início na superfície da imaginação, na re apresentação de minhas dores dramáticas e inúteis, sendo resgatado ao parasita ordinário que confere meus trocos, resgatado a tudo que é restrito e falso, como num folhear de um livro de mitos mudos, dividindo sem paixões,Meu pensamento é capturado pelos conceitos, preceitos, julgo e burros, fica imóvel e avesso ao natural,a partir disso meus mais fundos desejos buscam o abismo, a beira, aceitar na força ser atravessado pelo tempo, sair do caminho correto e patinar na incerteza de meus atos, destapar a boca de deus. Quero que os ratos torçam por mim,gritem ratos
Deve ser jorro, deve se entregar ao desconhecido, mudar a rota. Mas que portas se abrem e que portas se fecham? Qual o peso das coisas? Quanto vale minha liberdade? É disso que tenho que penso que escrever? Os sinos não tocam mais, a cidade está morta, a vida está morta, os pensamentos estão mortos e a casa está vazia. Cadê meu pai? Cadê meu filho? Por que porta saiu todos? E este cheiro que fica quem o sente? Quem me sente? As varizes passaram pela porta da sala esbarrando no sofá e se sufocou na cama. Os ratos lembram-se e riem de mim agora, mas eu me esqueci fora de mim, esqueci que os ratos são meus sacerdotes, esqueci de apagar a luz, de prender o cabelo para revelar à verdade que não há verdade, esqueci de quem fui, esqueci de esquecer o que se fazia necessário, esqueci de não ter medo, me perdi em mil.
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